O CULTIVO EM SOLO DAS VARIEDADES CEREJA SOB CONDIÇÕES DE ESTUFA

Escrito pelo Engº Agrº Yaacov Bar-Am (Nirit Seeds)

 

Em geral o cultivo dos tomates cereja é similar ao cultivo dos outros tomates, pelo que enunciarei apenas as particularidades.

A fertilização de base e a desinfecção do solo são similares às do tomate.

 

1-Preparo do terreno.

Arar o terreno até uma profundidade de 30-40cm, logo que espalhar o fertilizante de base. Se regará com irrigação por aspersão uma dose de 400-500 m3/ha para solos arenosos e 600-800m3/ha em solos medianos e pesados. Posteriormente  se passará a rotativa , se for necessário romper os torrões do solo.

 

2-Densidade e distância de plantação das variedades cereja.

Se plantam uma 24-30000 plantas por há, manejando cada planta a um único talo.

A distância entre filas será de 1,25m e entre plantas 0,30-0,35m.

Há produtores  que reduzem a distância entre plantas a 0,25m para chegar a uma população ao redor de 30-32000 plantas/há.

 

3-Transplante

Vale a pena pensar em cobrir os canteiros de cultivo com polietileno de 0,04mm de espessura. Além de reduzir a evaporação da água da superfície do solo e manter a umidade na parte superior, o plástico é importante para evitar a penetração de água de possíveis chuvas na época de colheita. A alta concentração de sólidos solúveis (brix) que têm os tomates cereja, frente a água da chuva pobre em nutrientes, produzirá uma rápida absorção por parte dos  frutos, com a conseqüente alta porcentagem de frutos rachados.

 

4-Guia de Planta

Se manejam as plantas de tomate cereja a um só talo por todo o ciclo. Quando se usa uma variedade de calibre maior, pode-se conduzir dois talos para reduzir o tamanho dos frutos.

O tutoramento se realiza enrolando a planta ao redor da fita plástica, que está sustentada a uma altura de 2,5 a 3 metros de altura, dentro da estrutura. Quando o ápice da planta chega até o arame de sustentação das fitas, dirige-se  a planta para baixo para que a mesma continue a crescer. Deve-se continuar a poda dos ramos laterais.

Como alternativa se pode usar o chamado tutoramento “holandês”. Este consiste no fato de que a planta ao chegar ao arame, devemos desenrolar a fita do grampo de sustentação para que a planta vá se deitando sobre o ‘mulching’. O grampo deve ser colocado mais adiante sobre o arame. Como os cachos são muito grandes e demoram a ser colhidos, convém colocar suportes metálicos para sustentar os cachos 40 a 50 cm longe do chão.

Depois de finalizar a colheita de cada cacho, é recomendável arrancar as folhas que se encontram abaixo deste cacho, levando-as imediatamente para fora da estufa, permitindo melhor ventilação e reduzir o perigo de entrada de doenças.

 

5-Irrigação.

Os tomates cereja em geral, são sensíveis ao ‘cracking’(rachamento), especialmente durante épocas frias. Como uma das causas do cracking é a inconstância do estado de umidade do solo, como conseqüência de irrigações inconsistentes, se faz imprescindível o controle da irrigação. Nestes casos é preferível o uso de tensiômetros, sistema que está baseado em manter tensões constantes de água no solo sem variações extremas de umidade.

Durante a estação fria, quando as temperaturas baixam, as variedades cereja necessitam menos água que um cultivo normal de tomates, pelo que se reduzirá a irrigação. Não se recomenda regar mais de 30m3/há/dia durante esta época.

Uns dez dias antes de começar a colheita deve reduzir-se a doses de água em 20 a 30% e aumentar a concentração de potássio em 50-100 ppm. Isto aumentará o sabor e reduzirá o perigo de ‘cracking’.

 

6-Polinização e Fecundação

Nos tomates cereja se colocam 20 a 30 colméias por hectare.

  

 

Etapa

 

Relação

N:P2O5:K2O

 

N

gr/m3

 

N/dia

Kg/ha

 

CaO

gr/m3

 

 

MgO

gr/m3

 

 

Transplante

 até 1a flor

 

 

     1:1:1

 

 

 

100-

150

 

 

 

3 a 4

 

 

 

     100

  

 

 

  40

 

 

 

Até a fecundação do 4o cacho

 

    1:0,5:2

 

100-200

Aumentar

Paulatinamente

De 3 a 6

 

 

100

 

50

Até a capação do ponteiro

 

   1:0,5:2

 

200

 

5 a 6

 

120

 

50

Até o final da colheita

   1:0,5:2

100

      3

100

40

 

 

 

 

 

 

Frio: menor evapotranspiração

 

    1:0,5:2

Aumentar

concentração

 

5 a 6

 

120

 

60

Temperatura mediana: mais evapotranspiração

 

 

 

    1:0,5:2

 

 

200

 

 

5-6

 

 

100

 

 

50

Calor: maior evapotranspiração

 

    1:0,5:2

 

150

 

5-6

 

80

 

40

 

Quanto à variação de clima, deveremos aumentar ou reduzir a concentração de fertilizante na água de irrigação segundo o uso de água pela planta, para chegar a cobrir  a necessidade diária  de fertilizante que aparece na tabela, na quarta coluna. 

 

7- Colheita

Os frutos do tomate cereja são delicados. Para o êxito na comercialização devemos tomar em conta vários fatores.

Muitas vezes, os frutos chegam aos mercados parcialmente em mal estado. Estas podridões são produzidas por fungos Rhizopus e Botrytis, que se desenvolvem muito rapidamente e passam de um fruto ao outro na embalagem.

A forma de reduzir este problema é levar a cabo uma classificação muito severa, evitando embalar frutos rachados.

A aparição do ‘cracking’ ocorre sob condições extremas de cultivo e quando a planta não está no seu apogeu. Os principais fatores são:

a-Falta de estabilidade no estado de umidade do solo.

b-Umedecimento da vegetação por chuvas.

c-Diferenças de temperaturas extremas entre o dia e a noite.

d-Alta umidade relativa que limita a transpiração das folhas e aumenta a pressão das raízes, que enviam água demais ao fruto.

e-Frutos descobertos e falta de vegetação.

f-Alta concentração de açúcares no fruto.

g-Plantas envelhecidas, com vegetação limitada e enferma.

 

Medidas para reduzir o ‘cracking’:

a-Uniformidade da irrigação. Evitar situações de falta de irrigação, quando são exigidos grandes volumes de água.

b-Manter as folhas ao redor da penca que está sendo colhida.

c-Boa ventilação para evaporar os excedentes de umidade relativa do ambiente e melhorar a transpiração das folhas.

 

Manejo adequado da colheita:

a-Começar a colher pela manhã, depois que se secou o orvalho das folhas e frutos.

b-Colher sem pedúnculo e evitar que restos de folhas e ramas cheguem à classificação.

c-Colher em recipientes acolchoados, evitando excedente de peso no mesmo que apertem os frutos.

d-Separação de frutos rachados e podres durante a colheita em recipiente a parte.

e-Evitar, no campo, o aquecimento dos frutos cortados. Os recipientes cheios devem ser guardados em local sombreado.

f-Colher fruto em início de maturação.

g-Manejo adequado na classificadora:

I-Não virar os recipientes de forma abrupta, colocando-os suavemente na esteira.

II-Manter a esteira abastecida de maneira uniforme.

III-Eliminar frutos rachados e podres antes que entrem nas escovas.

IV-Reduzir ao máximo a altura de caída dos frutos nas embalagens finais.

h-Manter a sanidade e limpeza de todo o processo.

 

Todas as recomendações incluídas aqui devem ser vistas unicamente como conselho profissional e não são garantia de êxito no cultivo.

 

 



 
  * As sugestões acima são de caráter geral e resultaram de observações de campo, podendo variar conforme a região"  
 
 
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