Muito tem se falado sobre novas tecnologias e o papel da pesquisa no Brasil. Pouquíssimas empresas de pesquisa em agricultura no Brasil ainda não foram adquiridas por grupos multinacionais.
O processo de melhoramento convencional de sementes para obtenção de híbridos deixa a esfera da pesquisa exclusiva a campo, passando para laboratórios sofisticados para a identificação de genes interessantes. Este processo não se refere à transgenia. Com base na identificação de genes os melhoristas conseguem identificar linhagens mais produtivas e ou resistentes sem ter que esperar todo um ciclo de cultivo a campo. Um laboratório deste tipo precisa de investimento na ordem de R$ 1 milhão, inviabilizando assim o surgimento de novas empresas e pesquisadores independentes que poderiam vender o fruto de sua pesquisa a outras companhias.
Quando pensamos em técnicas ainda mais sofisticadas como a transgenia, o valor citado se torna irrisório perto do capital requerido.
Aqui devemos fazer algumas considerações sobre os OGM (organismos geneticamente modificados). Não podemos simplificar o julgamento de toda e qualquer lançamento de OGM como perniciosa ou como necessária para o bem estar da sociedade.
Para que seja feito um OGM é necessário encontrar um gene de outra espécie que possa agregar algum benefício à espécie hospedeira. Outro passo importante é a forma como se transfere este gene. É preciso fazer um bloco de genes, que pode incluir genes que não sejam da espécie doadora e tampouco da espécie hospedeira. Aqui devemos fazer outro esclarecimento. Neste bloco de genes transferidos poderemos ter um gene “terminator”, que significa simplesmente ser o último gene da cadeia transferida. Já o conceito de sementes ‘Terminator’ significa sementes incapazes de gerar uma outra geração viável, isto é, só produz sementes estéreis. Esta prática levará ao monopólio do germoplasma (variabilidade genética) por poucas companhias multinacionais, devendo ser assim evitada ao máximo.